Translate this Page




ONLINE
1



Partilhe esta Página



Total de visitas: 179253
Entrevista publicada no FLAL em 2026
Entrevista publicada no FLAL em 2026

Entrevista de Nell Morato

Para 14ª Edição do FLAL – Palavras sem Fronteiras

Biografia:

Brasileira, gaúcha, formada em Contabilidade. Autora do romance, Ensaios para a Lua de Mel em português e em inglês, Rehearsals for the Honeymoon; dos livros de poesias, Fragmentos de um Desejo e Tão Longe e Tão Perto em português e em inglês, So Far So Close e da Coletânea Um Passeio entre Contos e Crônicas. Com participação em várias coletâneas, no Brasil e em Portugal. Ativista literária, atuando como editora responsável pela área de marketing, na Leia Livros Editora e Livraria, assim como, revisora de textos e administradora dos sites https://www.almanaqueliterario.com e https://espaconellmorato.com  também faz parte da equipe organizadora do FLAL Festival de Literatura e Artes Literárias.

Nell Morato é uma escritora brasileira que se destaca por sua forte paixão pela língua portuguesa e pela preservação da integridade literária. Além de autora, ela também atua como revisora, ajudando escritores a lapidar seus textos, especialmente aqueles que têm boas ideias, mas enfrentam dificuldades com a escrita formal.

Seus trabalhos são conhecidos por serem sinceros e carregados de emoções. Nell valoriza muito a comunicação verdadeira e direta, algo que ela acredita ser fundamental nas relações humanas. A escritora também é envolvida em iniciativas para apoiar a literatura brasileira e os escritores nacionais, promovendo a valorização da cultura através das palavras.

Ela é defensora da preservação de obras clássicas sem modernizações, acreditando que tentar "facilitar" a leitura de textos antigos como os de Machado de Assis pode diluir seu valor artístico. A escritora é também fascinada por arqueologia e história, o que reflete seu interesse por temas profundos e duradouros

“A Literatura me dá a liberdade de ser eu mesma e, percorrer caminhos desconhecidos na minha própria essência. Vivo e sinto tudo com emoção porque: ‘a vida é um espetáculo e sempre vou querer estar no palco’”.

 

 

  1. Quando você percebeu que a escrita não era apenas um hobby, mas uma necessidade?

– Nunca foi um hobby.  Em 2012, quando parei de fumar sequer imaginei as mudanças pelas quais eu passaria. Encontrei as lembranças de infância, adolescência e de um amor, um primeiro amor. E a história começou a ser escrita mentalmente e acabou num livro. Então, analisando a literatura disponível à época, dos romances adultos, repletos de conflitos doentios e enredos semelhantes, eu queria um texto leve e divertido, destinado às mulheres, apaixonadas, criativas, livres e atrevidas que acreditavam no amor e num relacionamento duradouro. Não pretendia seguir escrevendo, porém entrei nas redes sociais, Facebook e Twitter e me apaixonei pela atmosfera literária e decidi mudar minha vida, de novo!

 

  1. Qual foi o momento mais difícil da sua trajetória como escritor(a) e o que ele te ensinou?

– Quando concluí o livro em 2012 e saí em busca de uma editora para publicar. Cheia de vontade, imaginando o lançamento e algumas coisinhas importantes mencionadas no livro, que gostaria de oferecer aos leitores, como rosas amarelas... E depois de nove meses eu parei para analisar a triste trajetória até então.  Imaginem, fiquei procurando meios para publicação durante 270 dias. Não desisti e o período serviu para conhecer o mercado, como se comportam os editores, o que interessa e o que rejeitam.... E lhes digo, quase nada mudou.

 

  1. De onde surgem suas histórias: da observação do mundo, da memória ou da imaginação?

– Observando e vivendo... Creio que uma mistura de memórias, imaginação e desejos.  Sobre a poesia eu escrevi: “A poesia vem da própria existência, do nosso íntimo, da maneira de ver o mundo e tudo que nele existe, através dos olhos da alma, de sentir e transformar o que estamos vendo com toda a nossa essência.”

 

  1. Existe um tema ou conflito que sempre retorna nos seus textos, mesmo sem você perceber?

– Amor, relacionamento, erotismo. Digamos que amor vivido em toda a sua plenitude, corpo e mente. Não acredito em amor sem sexo, sem o toque, o cheiro, o gosto, olhos nos olhos, palavras doces e sedutoras...

 

  1. Como é o seu processo criativo, disciplina diária ou escrita guiada pela inspiração?

– Processo criativo complicado. Alterando minhas responsabilidades para dispor de tempo para a escrita. Tenho tanto para escrever que às vezes eu me sinto sufocada e até irritada... Em 2026 eu prometi (para mim) que vou deixar fluir...

 

  1. Que livro ou autor mudou a sua forma de escrever ou de ler?

– Não mudou a forma, mas decidi escrever por causa de Cinquenta Tons de Cinza, que não li e não assisti os filmes.  Comentou-se muito em 2012 sobre o lançamento e do sadismo na narrativa. E então comentei com meu filho, que ninguém mais fazia sexo normal, que os casais precisavam de ferro e fogo para sentirem prazer... E aí escrevi Ensaios para a Lua de Mel. Amei o processo de criação e perfumei com muitas lembranças...

 

  1. Como você lida com o medo da exposição e da crítica ao publicar um texto?

– Nada disso.  Na verdade, não ligo para críticas. Sei quem sou e tudo que escrevo é autêntico.  Também que muita gente me ignora nas redes sociais, e acredito que até invejam o meu trabalho. Só que isso é baixa autoestima do invejoso... Escrevi no www.espaconellmorato.com “Aqui em casa tenho um espelho que reflete o desejo dos meus olhos... Assim como o pato que se vê um lindo cisne... autoestima nas alturas! E o dia a dia é um constante aprendizado. Escrevi num card, sobre literatura: “– Um dia a gente chega lá! – Onde? – Ainda não sei... Vou saber quando nós chegarmos!”

 

  1. Qual personagem ou obra sua, mais se aproxima de quem você realmente é?

– Eu poderia citar a protagonista de Ensaios... Laura Walker, pois lhe dei muitas características da minha personalidade. Porém, estive lendo recentemente, textos que escrevi para a Revista Divulga Escritor, e percebi que falar sobre literatura, livros, escritores e o cenário literário é enriquecedor e gostei muito dos meus escritos. Ainda não decidi o que fazer com a “descoberta”, mas pretendo explorar a linha criativa de textos semelhantes.

 

  1. O que significa ser escritor(a) no Brasil hoje, especialmente fora do mercado tradicional?

– Quando eu saí em busca de uma editora para publicar meu primeiro livro, descobri que não seria nada fácil. Antes eu precisaria ser conhecida, alguém deveria “me indicar”, caso contrário não teria livro algum. Escrevi os Caminhos de uma Escritora, uma crônica, dividida em cinco partes, onde eu conto em detalhes os caminhos que percorri para publicar o meu livro, as dificuldades e o trabalho intenso que o escritor precisa fazer para ser lido. E depois de 12 anos, os caminhos continuam cheios de pedras para os novos autores... Muito pouco ou quase nada mudou em mais de dez anos. Eu é que mudei, aprendi muito e o aprendizado é constante e surgindo novos desafios a todo instante.

 

  1. Que conselho você daria a quem escreve em silêncio, mas ainda não teve coragem de se mostrar ao mundo?

– Depende de como você escreve.  Se usa a criatividade, imaginação, talento e vontade de revelar seus escritos, eu sugiro ousadia.  Ouse publicar seu livro, seus contos, poesias ou romance... e mostre para todos. Caso você faça uso da Inteligência Artificial para escrever seus textos, guarde-os num baú e continue em silêncio e no anonimato. Para o mundo, com certeza, não fará nenhuma diferença.

 

Nell Morato

06/02/2026