
EU E A TECNOLOGIA DIGITAL...
Em 2012 quando decidi escrever um livro, ganhei do meu filho um notebook. E lá fui euzinha aprender navegação na web, escrever no word e explorar o mundo digital.
Foi mais ou menos... Se perder alguma coisa, não acha mais e é como se existisse um “buraco negro” que leva os arquivos não salvos ou por inexperiência e descuido, lá se vai tudo... Até a paciência do meu filho...
Fui levando e finalmente estava me sentindo mais segura no comando do barco e navegava com tranquilidade... O livro foi nascendo, escrito cada dia um pouco mais e a criatividade tomou conta de mim. Tantas coisas acontecendo e eu vivendo no cenário literário da web... Eu e meu notebook nos entendíamos muito bem e cada dia mais e melhor...
Até que em 2017 fui abandonada pelo meu notebook que me jogou na rua da amargura com a roupa do corpo. Não me deixou levar nada, fiquei ao relento, procurando um computador vazio para me abrigar. Tinha tantos sonhos naquele espaço, tantas recordações, tanta poesia, a falta de energia, de servidor, de contato, aprendi tanto, apanhei tanto.
Sei que hoje ainda vou me apaixonar por outro, mas o primeiro, a gente nunca esquece. Deixou saudades... Não tenho nem uma bela imagem para ilustrar o meu abandono... Só do meu notebook indo embora... lentamente.
E naquele mesmo dia de 2017 à noite, meu filho chegou trazendo um novinho e com mais possibilidades, mais espaço, mais memória e outras coisas mais.
Recuperei meus arquivos e estou com um novo amor. Ainda estamos nos conhecendo, mas tenho certeza que ficaremos juntos por um longo período...
Pois é... e aí logo depois tudo mudou, pois chegou um moreno alto, com uma enorme tela e teclado separado... foi amor à primeira vista!
— E aquele outro, que estavam se conhecendo?
— Alugou um quartinho aqui no meu armário e acho até que vou usá-lo para gravar uns vídeos... Tem recursos muito bons...
Alguns meses depois, meu filho trocou o dele e o antigo foi fazer companhia para o “novinho”, que teve pouco uso sendo preterido pelo moreno alto...
Pois é, e depois de um tempo a tela grande do moreno alto começou a dar problema... Dificultava para ligar, se recusava a trabalhar, uma teimosia sem fim, além de criar obstáculos constantemente...
Então, chegando no fim do ano, depois de termos sobrevivido a pandemia, meu amado filho me presenteia com um notebook novinho na cor cinza (que eu adoro), foi uma paixão à primeira vista, nos entendemos muito bem e é nele que estou escrevendo este relato... Divido com ele as flores que eu amo, as margaridas que enfeitam a tela, meus sonhos, minhas dores e meus amores... Minha essência traduzida em caracteres, da máquina que não tem “buraco negro”, não me deixa perder os arquivos que eu distraidamente esqueço de guardar, estou ficando mal-acostumada com tanta eficiência...
by Nell Morato