
POR QUE O ORGASMO FEMININO É MENOS FREQUENTE? PESQUISA ANALISA DESEQUILÍBRIO NAS RELAÇÕES HETEROSSEXUAIS
Estudo sugere que homens pensam mais no próprio prazer, enquanto mulheres focam na satisfação do outro
Enquanto os homens costumam chegar ao orgasmo com mais facilidade, muitas mulheres ainda enfrentam dificuldade em atingir o clímax. Esse desequilíbrio é comumente chamado de lacuna do orgasmo (tradução do termo orgasm gap, em inglês). A diferença se explica por fatores biológicos, sociais e comportamentais.
Um estudo publicado neste ano na revista científica Sage Journals reforça a existência dessa disparidade. A pesquisa, feita com casais heterossexuais, identificou que os homens chegam ao orgasmo com mais frequência do que as mulheres e aponta que essa desigualdade não está ligada somente a questões individuais, mas também à dinâmica entre os parceiros durante o sexo.
— Essa diferença existe sim. Iniciando pelo aspecto biológico e fisiológico, porque são corpos diferentes, que têm funcionamentos diferentes e precisam ter atenções diferentes — defende a psicóloga e sexóloga Stefany Bischoff, que analisou o estudo.
O principal achado do levantamento, feito com base nos relatos dos participantes durante 21 dias, é que os homens se concentraram mais no próprio orgasmo do que no da parceira, enquanto as mulheres focaram no prazer do parceiro. Para Stefany, a balança acaba pendendo para um dos lados:
— É uma conta que não vai ter um saldo positivo no final. As pessoas devem ser responsáveis pelo próprio orgasmo, mas também entender que podem e devem contribuir com o prazer do parceiro ou parceira. Uma relação é feita de duas pessoas, então se apenas uma ficar no centro, isso só vai ser prazeroso para ela.
Autoconhecimento e diálogo
As diferentes prioridades durante o sexo ajudam a explicar a desigualdade na hora do orgasmo, mas não são os únicos fatores envolvidos. A falta de autoconhecimento e de comunicação com o parceiro também podem comprometer a equidade da experiência sexual, garante a psicóloga e sexóloga Lizinara Pereira.
— A falta de educação sexual e de autoconhecimento justifica. Porque as mulheres não exploram o próprio corpo para entender onde e como sentem prazer. Como vão mostrar para os parceiros do que gostam se nem elas sabem? — indaga.
O foco cultural no prazer masculino também contribui para essa situação, garante a especialista. Desde cedo, os homens são permitidos a descobrir sobre o próprio corpo, enquanto a masturbação feminina ainda é cercada de tabu e vergonha. Eles aprendem o que gostam, como gostam e sentem menos culpa por buscar esse prazer.
O consumo excessivo de pornografia também pode acentuar a desigualdade no prazer entre homens e mulheres. Lizinara pontua que esses conteúdos reforçam uma visão centrada no orgasmo masculino e na performance, ignorando o tempo e as necessidades do corpo feminino:
— Os homens, principalmente os mais jovens, estão acostumados a assistir a filmes pornográficos e isso também atrapalha. Muitos dos relacionamentos estão em conflito porque eles aprendem por ali e querem que seja igual.
Por último, as especialistas reforçam que a falta de conversas sinceras entre o casal sobre o que gostam e como sentem prazer pode reduzir as chances de ambos se sentirem satisfeitos com a relação.
Como contornar a lacuna do orgasmo?
Stefany e Lizinara destacam algumas atitudes que podem contribuir para uma maior equidade de ritmo e frequência de orgasmos nas relações heterossexuais:
Fonte: Zero Hora/Revista Donna/Yasmin Girardi em 31/07/2025