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Mulheres com mais disposição para sexo casual
Mulheres com mais disposição para sexo casual

POR QUE MULHERES TÊM DEMONSTRADO MAIS DISPOSIÇÃO PARA O SEXO CASUAL DO QUE HOMENS?

Embora transformações sociais contribuam para uma nova forma de encarar as experiências, ainda há muito julgamento em torno das relações sem compromisso

 

Mudanças sociais e comportamentais têm influenciado a forma como o sexo casual é vivido e interpretado. Um estudo recente indica que, nos Estados Unidos, mulheres se mostram mais abertas a experiências sem compromisso do que os homens. O dado desafia estereótipos antigos e reacende o debate sobre quais são as percepções e os limites do prazer sem vínculos.

 

O levantamento do Centro de Pesquisas sobre a Vida Americana (Survey Center on American Life, em inglês), divulgado no final do ano passado, aponta que apenas quatro em cada 10 norte-americanos consideram moralmente aceitável – ou neutra, do ponto de vista ético – a relação sexual entre pessoas que não se conhecem bem. A maioria (56%) ainda classifica esse tipo de experiência como moralmente errada.

 

A desaprovação ao sexo casual varia conforme gênero e idade. Pelo menos 51% das jovens entrevistadas acreditam que fazer sexo com alguém que não conhecem bem é moralmente errado, enquanto, entre as mulheres mais velhas, esse percentual sobe para 73%. Entre os homens, a variação é mínima: jovens e adultos (57% e 56%, respectivamente) consideram esse tipo de relação moralmente errada.

 

O que é sexo casual?

O termo sexo casual está longe de ter um significado único. Pode envolver desde um encontro isolado até relações recorrentes sem compromisso formal, com diferentes graus de intimidade e vínculo. Uma pesquisa publicada na

Revista Canadense de Sexualidade Humana (The Canadian Journal of Human Sexuality, em inglês) mostra que essas experiências não são homogêneas, mas se organizam em um espectro que varia conforme a frequência dos encontros, o tipo de contato (sexual e/ou social), o nível de troca e a existência ou não de amizade.

 

A psicóloga e sexóloga Bárbara Ahlert resume:

— É algo sem compromisso afetivo, relacional, formal. É uma experiência consentida, buscada pelas duas pessoas, e que pode ser muito positiva. Mas não significa, necessariamente, que vai evoluir para um relacionamento. Ainda assim, tem carinho, cuidado, respeito, afeto e conexão.

 

Novas percepções refletem mudanças  

Para especialistas, diversos fatores ajudam a explicar por que as mulheres têm demonstrado maior abertura em relação ao sexo casual. Mudanças sociais, transformações nos discursos sobre sexualidade, maior autonomia feminina e o enfraquecimento de normas tradicionais que associavam o desejo feminino ao silêncio ou à culpa contribuíram para um novo modo de encarar essas experiências.

— Estamos tendo mais acesso à educação, a debates feministas e a um repertório maior sobre consentimento e questões relacionadas ao prazer. Isso diminui a vergonha e começa a diminuir a pressão interna, que também é social, para que a mulher possa começar a expressar o que ela quer e aceitar que está mais aberta. Elas se conhecem melhor e buscam o prazer — defende Bárbara.

 

A especialista destaca, ainda, que esses dados não indicam que as mulheres vivem (ou querem viver) mais experiências de sexo casual do que os homens, apenas expressam avaliações gerais de como percebem a prática.

 

O psicólogo e sexólogo Marcelo Nora acrescenta que a tendência também é observada em outros países ocidentais. Ele relata que, por muito tempo, aspectos como desejo sexual e número de parceiros, por exemplo, foram usados como critérios para medir o valor moral das mulheres, enquanto comportamentos semelhantes eram socialmente aceitos, e até incentivados, entre os homens.

— Hoje as pesquisas colocam o contrário. As mulheres estão mais abertas e, entre muitas aspas, permitidas a fazer isso, a desempenhar o próprio prazer sem julgamentos. Mas, com a liberdade e o prazer feminino em pauta, noto que os homens começaram a ficar mais ansiosos, se sentirem mais intimidados — pondera.

 

Transformações entre os homens

Para ele, esse movimento ajuda a explicar por que a proporção de homens que aceita o sexo casual é hoje menor do que a de mulheres. Com o prazer feminino em pauta, Nora acredita que muitos homens passaram a relatar maior ansiedade e pressão por desempenho, sentindo que precisam corresponder a expectativas elevadas em relação à entrega sexual e emocional.

 

Ao mesmo tempo, avalia o especialista, modelos tradicionais de afirmação da masculinidade (associados ao número de parceiras ou à performance como prova de virilidade) vêm sendo questionados, sobretudo entre os mais jovens, que se mostram mais atentos às próprias emoções.

— Pode ser que, agora, para o homem, seja mais confortável conhecer a pessoa antes, sem essa parte sexual. Porque ainda está sendo muito como uma prova, de que tem que ir lá e performar. Claro, não para todos os homens. Mas tenho visto um crescimento de disfunções sexuais porque eles precisam de um lugar confortável, querem conhecer melhor a pessoa para saber que podem ficar “vulneráveis” — aponta Marcelo.

 

Neste contexto, a sexóloga Bárbara nota que, por conta do maior autoconhecimento e maior liberdade para falar sobre o próprio prazer, as mulheres estão mais seletivas para essas experiências:

— Ela não vai sempre que surgir essa oportunidade. Já o homem sofre essa pressão. Então, se ela sentir que não vai ser respeitada, que não vai ter consentimento, que não vai ter algum tipo de conexão, ela não vai. Noto que a mulher quer uma troca legal, quer viver algo gostoso, quer leveza. Não quer ser um objeto.

 

Fonte:  Zero Hora/Revista Donna/Yasmin Girardi em 02/02/2026