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Wollying, de mulher para mulher
Wollying, de mulher para mulher

E QUANDO A VIOLÊNCIA É PRATICADA DE MULHER PARA MULHER? ENTENDA NO VÍDEO O QUE É WOLLYING

Nem toda crítica configura wollying. Problema começa quando a intenção deixa de ser dialogar e passa a ser desqualificar, isolar, enfraquecer

 

Você já ouviu falar de wollying? É o nome novo para um problema antigo que está crescendo na era das redes sociais, sobretudo entre garotas jovens: o bullying praticado por uma mulher contra outra.

 

O termo vem da junção de duas palavras em inglês - woman e bullying.

 

Sabe aquela colega que virou alvo de comentários sobre o corpo, a roupa, a idade? Ou a conhecida que vive recebendo ataques virtuais? Ou uma aluna que saiu do grupo de WhatsApp da escola porque não era incluída nas conversas?

 

Contrário da sororidade, o conceito que define a união e a empatia entre mulheres, o wollying nem sempre é percebido como violência. Apesar de também poder chatear e causar danos, sobretudo psicológicos.

 

Sabe aquela crítica constante disfarçada de conselho? Ou aquele elogio feminino seguido de um “veneninho”? Ou aquela fofoquinha estrategicamente espalhada para queimar uma menina - e que ganha alcance muito maior no mundo digital?

 

Pesquisando sobre o tema, descobri que o município de São Paulo já tem até um Dia de Conscientização e Combate ao Wollying e Sororidade entre as Mulheres: 17 de abril. E o tema foi abordado por um grupo de brasileiras na Comissão sobre a Situação da Mulher da Organização das Nações Unidas em março.

 

É importante dizer que nem toda crítica entre mulheres configura wollying. Divergir faz parte da convivência humana, assim como competir de forma saudável. O problema começa quando a intenção deixa de ser dialogar e passa a ser desqualificar, isolar, enfraquecer.

 

Questões culturais fomentam o wollying. Por séculos, as mulheres disputaram espaços muito escassos, sem poder nem reconhecimento. E a aprovação social estava muito vinculada a parecer mais bonita, mais jovem, mais perfeita do que a outra. Essa lógica da comparação explodiu com as redes sociais e já começa na adolescência.

 

Como nunca foi tão fácil observar a vida alheia em tempo real, comparar corpos, relacionamentos, viagens virou um scroll infinito. E, quanto mais exposição e mais engajamento, ainda que seja pra xingar ou desqualificar outra menina, melhor para os algoritmos.

 

Mas há uma reflexão necessária aqui: assim como combater a violência contra a mulher, em todas as suas formas, deve ser prioridade, também é preciso reconhecer os padrões e as armadilhas que, desde muito cedo, colocam umas contra as outras — muitas vezes sem que sequer nos demos conta disso. Entender e romper esse ciclo também é uma forma de combater a violência contra as mulheres.

 

Fonte: Estadão/Luciana Garbin/Editora executiva no ‘Estadão’, professora na FAAP e mãe de gêmeos em 11/09/2026