
MULHERES ARTIFICIAIS
O assunto tem rondado a minha mente quase todos os dias... Não vivi aquela época, mas lembro de filmes que retratam os anos 20, 30, 40 e a elegância que vestia as mulheres naturalmente belas.
Fui comprar uma peça íntima para vestir meu corpo: um soutien ou um sutiã. Infelizmente, não encontrei um modelo adequado ao meu gosto. Quase todos vêm com bojos que aumentam o volume dos seios ou com arames para sustentação — segundo diz o fabricante. Há também os do tipo top de ginástica, made in China, que se vestem pela cabeça e juntam as mamas, formando uma coisa disforme... Agora, terei que sair por aí, de loja em loja, explorando as opções. Lembro que os melhores sempre foram fabricados no país; encontrávamos modelos de marcas conhecidas por anos e anos... DeMillus, Valisere, Triumph.
E aí já começa a artificialidade das mulheres... Quem não dispõe de dindim para colocar silicone nas mamas usa sutiã com bojo para aumentar o tamanho... Já as calcinhas estão mais para "piriguetes": diminuíram a faixa que cobre a genitália... Essas, pelo menos, ainda encontramos em várias versões.
No uso do dia a dia, na correria do trabalho, casa, filhos ou faculdade, precisamos usar roupa íntima confortável e segura, que proteja a região das agressões do meio ambiente. Lingerie para os dias e noites especiais já é em outro departamento; aí eu sugiro conferir com a personagem Laura Walker... em Ensaios para a Lua de Mel.
As peças mencionadas acima são empurradas para as consumidoras com base no momento artificial em que vivemos. Praticamente não encontramos variedade na modelagem, como se “alguém” determinasse que devemos usar apenas os modelos expostos nas lojas.
Bocas imensas... e, muitas vezes, os lábios ficam maiores do que o nariz quando o rosto é visto de perfil. Lábios preenchidos artificialmente. Seios e bundas aumentados com silicone; e ainda bochechas, coxas, braços... por aí segue o enchimento nos corpos artificiais. Sobrancelhas esculpidas artificialmente, cílios postiços colados nas pálpebras... Os “especialistas” depilam as sobrancelhas para então desenhá-las com lápis, caneta ou sei lá qual tinta ou método usado. Em alguns casos, o resultado são fisionomias grotescas e artificiais.
Certa vez, fui a uma estética para depilar o buço e também algumas penugens na face. Aí, a moça perguntou se eu não desejava depilar também as narinas. Como? Como assim?, pergunto... E ela responde que muitas clientes tiram todos os pelos das narinas...
Gente, o corpo humano é perfeito. Cada fragmento, seja uma célula ou um pelinho, está lá porque tem uma função.
“Os pelos do nariz (chamados de vibrissas) atuam como a primeira linha de defesa do sistema respiratório. Eles formam uma barreira física que filtra o ar, retendo poeira, pólen, poluentes e microrganismos. Também ajudam a umedecer e aquecer o ar inalado, protegendo os pulmões contra irritações e infecções.”
“Especialistas em otorrinolaringologia alertam contra a remoção desses pelos pela raiz (como com pinças ou cera). Isso abre pequenas feridas na mucosa nasal, uma área altamente sensível e com muitas bactérias, aumentando o risco de infecções graves e dolorosas, como a foliculite. O mais indicado é apenas aparar os fios que ficam visíveis para fora das narinas.”
E ela continuou contando sobre as depilações (ou agressões) que pratica, como a eliminação total dos pelos pubianos... (Sinceramente, por causa de uma cirurgia há alguns anos, o hospital depilou minha genitália e, depois, a região ficou estranha, pelada, e os pelos demoraram a crescer).
“Os pelos pubianos protegem a genitália feminina contra bactérias e patógenos, reduzem o atrito durante atividades físicas ou relações sexuais e ajudam a manter o microbioma vaginal saudável. Eles também retêm o suor rico em feromônios para atração sexual.”
“A decisão de remover ou não os pelos, e é totalmente pessoal e não interfere diretamente na saúde, desde que a região seja mantida limpa e seca. No entanto, a depilação (total ou parcial) pode aumentar o risco de irritações, pelos encravados e infecções se não for feita com cuidado.”
O corpo humano é uma máquina perfeita, e nós é que estragamos tudo com artificialidades, procedimentos estéticos e cirúrgicos. Já vimos por aí os “monstros” criados por cirurgias malfeitas... Ainda temos o mega hair com cabelo artificial ou humano (de outra pessoa): algumas mulheres vendem seus longos cabelos para que outras aumentem as suas madeixas... A vida moderna e o tal progresso acabaram com a naturalidade dos corpos femininos.
Outra condição atual que tenho visto na internet, no mundo inteiro e em quase todas as situações — passeios, shows, cinema, desfiles —, é a ampla exposição dos corpos femininos... Os homens que as acompanham vestem-se dos pés à cabeça, em traje de gala (quase sempre), enquanto elas estão com o corpo à mostra: algumas tiras de pano lindamente bordadas com pedrarias e muitas transparências... Seios à mostra e bundas também. Nesse universo de corpos nus, chamou minha atenção a elegância de duas brasileiras em Los Angeles, na cerimônia do Oscar, em duas ocasiões: Fernanda Torres e Maria Fernanda Cândido.
Minha pergunta é: por que as atrizes ou cantoras precisam mostrar seus corpos em detrimento do próprio talento que possuem? Na cerimônia de abertura da Copa do Mundo também, enquanto Shakira e outras mostravam muito, Katy Perry apresentou-se com um vestido longo, e o talento falou mais alto que as belas pernas de Shakira... Vejo o momento atual como de muita apelação com os corpos nus... Para falar a verdade, odeio essa imposição que agride as muitas mulheres que lutam diariamente para consolidar um lugar de liderança no mercado de trabalho. Já vi escritoras fazendo isso... Uma pequenina parcela, pois o que conta é o talento, mesmo que o mercado atual priorize a nudez como se fosse uma consequência dele.
Um post no Facebook, na semana passada, chamou a minha atenção. Uma insanidade: um homem se transformando cirurgicamente em uma mulher... Impossível, certo? Biologicamente é impossível. Nasceu homem e vai morrer como homem. Só que esse daí — sob uma nova denominação que surgiu com as redes sociais: “influencer” — quer virar mulher e até disse que é um sacrifício pelo qual passa uma “mulher trans”... Não existe mulher trans; mulher é mulher. O sujeito fez cirurgias ósseas, eliminando costelas e outras partes do esqueleto, e diz ainda que vai precisar mexer nos ombros, isto é, diminuí-los... Chega de Éricas Hiltons. E os políticos machistas e sexistas nos empurraram esse deputado na comissão de políticas públicas para mulheres; uma afronta!
Eu aprovo a diversidade para homens gays e mulheres lésbicas e não tenho preconceito algum com a preferência deles... Agora, sou absolutamente contra homem querer se transformar numa aberração ou vice-versa. Será um complexo de Frankenstein?
Enquanto isso, eu nem faço questão de sair da minha casa. E assim estou lendo sobre como a Filosofia entende a Misantropia... pois descobri que a palavra, bem como o ato ou as ações, está fazendo parte da minha vida atual. E aí eu concordo: a misantropia de Nietzsche é transgredida pela esperança. Ele não odeia o potencial humano; ele odeia o estado atual da humanidade. Seu desprezo serve como um catalisador: o homem atual é algo que deve ser superado para que surja algo maior (ou o Além-do-Homem).
by Nell Morato 11/07/2026