
COMO É O MUSEU ERÓTICO DE GRAMADO, O PRIMEIRO DO BRASIL: "CONFUNDEM HISTÓRIA DO SEXO COM PORNOGRAFIA"
Com entrada permitida apenas para maiores de 18 anos, o espaço costuma atrair casais e reúne quase 500 obras em exposição
Entre parques temáticos e atrações lúdicas para famílias, Gramado também reserva um espaço pensado especialmente para maiores de 18 anos. Inaugurado no final de 2020, o Sex Museum é o primeiro museu do sexo do Brasil e o oitavo do mundo. A atração busca tratar o tema com leveza e curiosidade, atraindo casais que visitam a cidade gaúcha.
O espaço tem 11 salas que contam a história do sexo. Entre as quase 500 obras expostas no museu, os visitantes podem encontrar máquinas de sexo da época do feudalismo, o primeiro vibrador (criado no século 19), cintos de castidade antigos, elementos de BDSM (Bondage, Disciplina, Sadismo, Masoquismo), esculturas de posições sexuais e de personagens eróticos.
Para uma visita rápida e pouco aprofundada, 40 minutos podem ser o suficiente, assegura Marlon Cardinot, sócio-fundador do local. Já para apreciadores de fatos históricos, a visitação pode ser prolongada, uma vez que todas as peças contam com descrições detalhadas que podem ser lidas e fotografadas.
— Ninguém sabe como o primeiro vibrador foi criado, mas temos lá. Foi invenção de um médico, para curar a enxaqueca das mulheres. E assim temos várias outras curiosidades, historicamente comprovadas. O pessoal confunde o erotismo e a história do sexo com pornografia, mas são coisas distintas. É uma fantasia, tem o lado histórico e o lado lúdico, para quebrar um tabu — defende Cardinot.
Ao contrário de outras atrações populares da Região das Hortênsias, a experiência não costuma receber grupos de excursão. No Sex Museum, cuja entrada é permitida apenas para maiores de 18 anos, os visitantes são, em geral, casais de namorados, recém-casados em lua de mel ou juntos há mais tempo
Em junho, mês dos namorados, e julho, temporada de férias de inverno, o movimento é maior. Contudo, Cardinot relata que a época do ano em que o museu fica mais cheio é em agosto, quando ocorre o Festival de Cinema de Gramado.
O fundador acredita que a justificativa para o aumento no número de visitantes neste período esteja relacionada ao perfil dos turistas na cidade durante o evento, que exibe obras audiovisuais de todo o Brasil.
Alvo de críticas
Apesar de atrair a curiosidade de muitos visitantes, o Sex Museum não é unanimidade. Para alguns, a proposta é inadequada ao ambiente familiar da cidade. A presença de um espaço dedicado à sexualidade em um destino turístico tradicionalmente associado à infância e ao romantismo soa como algo moralmente questionável, percebe Cardinot:
— Quando foi aberto, o pessoal dizia que Gramado não precisava disso. Mas não é uma boate de striptease nem nada do tipo. É historicamente correto. E quando vimos que tinha sete museus no mundo e tínhamos a chance de abrir o oitavo aqui nessa cidade, pensamos ser algo diferente. Teve muitas críticas e repercussões negativas.
O sócio-fundador acredita que é normal que conservadores ou opositores façam comentários ruins sobre o espaço. Para os interessados e curiosos, por outro lado, a experiência é positiva.
Pedido dos visitantes
Logo que foi inaugurado, o museu contava com uma loja de souvenirs no final da visitação, para que os turistas pudessem levar lembrancinhas do passeio para casa. O público sentia falta de alguns produtos na loja e, por isso, os responsáveis adicionaram mais uma atração: a sex shop.
— Quando a gente começou, até falei para o meu sócio para não colocarmos coisas de sex shop para não espantar as pessoas. Mas o público entrava e falava que achava que teria uma sex shop. Aí aumentamos a loja e hoje temos uma linha completa, com vibradores, óleos, brinquedos, tudo que é lançamento. A vantagem também é que a pessoa que quer ir em uma sex shop, mas tem vergonha, pode ir no museu, passear e depois ir na loja — sugere.
Serviço Sex Museum
Fonte: Zero Hora/Revista Donna/Yasmin Girardi em 07/07/2025