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Incluir brinquedos eróticos na rotina do casal
Incluir brinquedos eróticos na rotina do casal

COMO INCLUIR BRINQUEDOS ERÓTICOS NA ROTINA DO CASAL? SEX TOYS PODEM FORTALECER A RELAÇÃO

Com diferentes níveis de complexidade, os sex toys podem ser aliados da vida sexual a dois

 

Vibradores, jogos de dados, anéis penianos e outros brinquedos eróticos ganham espaço não só na gaveta dos solteiros, mas também na rotina de casais que buscam inovar na cama. Longe de serem um “recurso de emergência”, esses acessórios podem potencializar o prazer e fortalecer a intimidade em relações com qualquer configuração.

 

Apesar da curiosidade, alguns casais ainda sentem receio ou vergonha de incluir sex toys na relação. Para a psicanalista e sexóloga Blenda Rodrigues, a experiência pode ser muito positiva para enriquecer a vida sexual a dois:

— Os brinquedos desenvolvem a questão da intimidade, de estar à vontade um com o outro. Alimentam o desejo desse casal e melhoram a comunicação entre os dois. Quando eles descobrem essas fantasias, eles também exploram a questão do prazer e se reconectam.

 

Para quem tem vontade de experimentar, mas ainda se sente inseguro sobre como e por onde começar, quando propor ou de que forma usar brinquedos eróticos a dois, a falta de orientação pode virar um obstáculo. Duas especialistas compartilham dicas que podem ajudar a tornar o processo mais leve e prazeroso.

 

Como incluir brinquedos eróticos na relação?

  1. Dialogar

Conversar sobre o uso de brinquedos eróticos é o primeiro passo para a experiência ser divertida para ambos. O diálogo permite alinhar expectativas, estabelecer limites e criar um ambiente de confiança, garante a psicóloga e sexóloga Natália Arnold.

— A ideia é que eles possam ter uma conversa aberta para falar sobre as fantasias, os desejos, aquilo que aceita e o tipo de fetiches que não aceita. Casais que costumam conversar sobre sexo vão ter facilidade. Mas é essencial ter comunicação, tem que ser uma brincadeira gostosa e confortável para os dois — pontua.

 

  1. Explorar as opções

Para quem nunca brincou com esses acessórios, Natália aconselha visitar uma sex shop presencialmente ou de maneira virtual. Dessa forma, será possível descobrir quais brinquedos existem, quanto custam, de que materiais são feitos, como funcionam e quais modelos podem se adaptar mais aos interesses do casal.

 

  1. Escolher um brinquedo

Após conversar e ir a campo, o casal já está pronto para escolher por onde começar. A dica das especialistas é iniciar pelo básico para, depois, conforme a segurança e intimidade aumentar, testar brinquedos mais elaborados ou desafiadores.

— Não precisa ser um vibrador já de cara, mas um joguinho, às vezes de carta, de dados. De cartas, indico o Puxa Conversa Casal ou o Sexoterapia, que são joguinhos que já têm algumas coisas para fazer, então é uma forma de brincar. Jogos de dados eróticos são legais, têm algumas posições sexuais. Depois, dá para partir para coisas que envolvem massagem, como óleos. Calcinhas comestíveis também — sugere Blenda.

A psicanalista também indica o bullet, um modelo de vibrador pequeno, discreto e de formato cilíndrico, parecido com uma cápsula, desenvolvido para estimulação externa. Antes de ser usado para ativar a região genital, Blenda afirma que pode ser usado no corpo, durante massagens, para que o casal se acostume com o brinquedo.

Em uma etapa mais avançada de adaptação com esse universo dos sex toys, Natália acredita que explorar outras opções pode potencializar o prazer:

— Em geral, dá para começar por um estimulador de clitóris, como o bullet, que vibra. Ou o anel peniano, que se coloca no pênis e ele vibra, estimulando o clitóris ao mesmo tempo. Esses brinquedos podem ser usados em várias posições e são bem interessantes para o casal. De brinquedos mais complexos, tem o sugador de clitóris, que faz movimentos de sucção, como se fosse o sexo oral. Tem casais que gostam de sexo anal e podem experimentar plugs anais, com vibração ou sem.

As especialistas reforçam que, para alguns homens, vibradores ou brinquedos que imitam a aparência do pênis podem causar desconforto. Por isso, devem ser inseridos na rotina do casal conforme houver abertura e segurança para isso.

Esse tipo de brinquedo também pode ser utilizado em relações entre duas mulheres, desde que haja desejo e consenso. Blenda relata que, para elas, o uso de strap-on, um cinto com um pênis de silicone ou borracha acoplado, também pode ser prazeroso. 

— Para casais heteronormativos, tem a questão da dupla penetração, que muita gente gosta e esses brinquedos podem ajudar. Depois que entraram de vez com os sex toys, aí pode ser o momento de começar a explorar as fantasias, como o BDSM (Bondage, Disciplina, Sadismo, Masoquismo) e aí já partem para as algemas, as palmatórias, separador de perna, imobilizadores — acrescenta Blenda. 

 

  1. Ter um planejamento

Para começar a usar sex toys pela primeira vez, é essencial que o casal crie um ambiente seguro, acolhedor e livre de pressões. Ter tempo e privacidade para explorar os brinquedos com calma pode fazer toda a diferença, para que ambos consigam descobrir juntos como implementar essas novidades na rotina sexual.

— Tem que começar sem pressa, como se fosse uma grande brincadeira, até porque é. É para ser algo divertido e tranquilo para os dois. Talvez ter um espaço reservado onde eles não vão ser interrompidos por um bom tempo, onde não se sintam envergonhados de fazer barulho. E que possa ser uma experiência lenta e leve para os dois — aconselha Natália.

Blenda pontua que, para casais com filhos, planejar o momento com antecedência é fundamental para evitar distrações, garantir privacidade e viver a experiência sem pressa.

— É legal ter essa organização de, não sei, uma vez por semana ou a cada 15 dias, tirar um momento para o casal ter um sexo mais elaborado, que dê para incluir os brinquedos. Podem começar vendo uma série, ou sair para jantar e ir no motel. Não significa que eles são obrigados a performar, mas precisa ter esse espaço e tempo de qualidade para testar — reforça a psicanalista.

 

  1. Decidir o momento

Os sex toys podem ser incluídos tanto nas preliminares quanto durante a relação sexual. Além disso, esses acessórios podem funcionar como parte principal do encontro ou como um estímulo adicional ao toque, à penetração ou ao oral.

As especialistas garantem que não há uma regra fixa: cada casal pode testar diferentes formas de uso até descobrir em que momento da dinâmica sexual os brinquedos se encaixam melhor. Durante o processo, é importante que os dois comuniquem o que funciona e o que não está tão legal.

 

  1. Avaliar a experiência

Depois da relação, as especialistas recomendam que os casais conversem abertamente sobre como se sentiram ao usar os brinquedos sexuais. Avaliar juntos se gostaram, o que funcionou, o que poderia ser diferente e se querem repetir ou adaptar a prática.

— Tem que ser sempre uma coisa leve. Se não gostaram, não curtiram, tudo bem. Não mudam mais a relação e tudo certo — defende Blenda.

 

  1. Higienizar e guardar os brinquedos

Após o uso e antes da próxima tentativa, é importante que o casal higienize corretamente os brinquedos, principalmente aqueles que estiveram em contato com a região genital.

— Tem produtos específicos para higienizar os brinquedos. Em geral, as pessoas usam sabonete íntimo também. É importante não emprestar para outras pessoas. E, claro, guardar com segurança, porque tem alguns que, dependendo do material, podem acabar grudando e se desfazendo. Esconder das crianças, do cachorro, pode evitar constrangimentos ou acidentes — afirma Natália.

 

Fonte: Zero Hora/Revista Donna/Yasmin Girardi em 09/07/2025